Professores da rede estadual, em greve há três semanas, estão reunidos no Calçadão de Londrina na manhã desta segunda-feira (2) em mais um dia de protestos. Desta vez, o alvo das críticas dos educadores é a decisão do juiz Victor Martim Batschke, que determinava a volta dos professores do 3º ano do ensino médio às salas de aula nesta segunda.
O juiz lembrou, na decisão, que havia reais motivos para a deflagração da paralisação e diz que as negociações só terminaram no fim da semana passada. Segundo ele, seria razoável que o governo esperasse três dias úteis para ver se a assembleia decidirá encerrar o movimento. “Não pode ser objeto de decisão judicial algo que exija o exercício de futurologia, sobre o que venha a ser deliberado no dia 4 de março vindouro”, escreveu Batschke.
O sindicato da categoria (APP-Sindicato) afirmou, em nota oficial publicada em seu site, que não foi comunicado oficialmente da decisão – tomada pelo magistrado de plantão na noite de sábado (28). A princípio, a liminar apontava para a ilegalidade da greve. A questão, porém, só poderá ser avaliada após a assembleia marcada para a próxima quarta-feira (4).
Em nota, o governo afirma está cumprindo sua parte integralmente. “Trata-se de um claro desrespeito com as famílias e os estudantes paranaenses”. O governo ainda diz que o único objetivo da APP-Sindicato “é desgastar o governo e tumultuar o ambiente social”.
O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, afirmou que há outras reivindicações que não foram totalmente atendidas pelo governo estadual. Outro ponto é a organização dos colégios. Houve a promessa da contratação de mais professores, mas a nomeação deles precisa ser realizada antes da retomada das aulas.
Além de professores das escolas estaduais, servidores técnico-administrativos do Hospital Universitário e do Hospital de Clínicas da UEL também estavam reunidos no protesto.
Recurso
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) vai entrar hoje com recurso contra a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) que intimou a volta às salas dos professores do 3º ano do ensino médio em 48 horas.
De acordo com a liminar, está prevista a aplicação de multa diária de R$ 10 mil caso o sindicato descumpra a ordem. Leão afirma que somente a assembleia da categoria marcada para as 9 horas de quarta-feira é que irá definir se a paralisação termina ou não. “A assembleia é soberana. Enquanto isso, pedimos aos pais e mães para não enviarem os filhos para os colégios”, diz. A assembleia será no estádio Vila Capanema e há a previsão de que 20 mil servidores compareçam.
Na última reunião entre o sindicato e o governo, realizada na quinta-feira passada, o estado prometeu que as progressões e promoções de funcionários e professores da área serão retomadas entre maio e junho, respectivamente. “Mas aquelas atrasadas, não têm data para ocorrer. Não temos nem previsão”, afirmou o presidente da APP-Sindicato. O governo do estado, no entanto, considera as negociações encerradas.
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